quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Apenas um pão francês


Era um pão francês, apenas um pão francês...
O que concedia a ele um sabor especial era o que o acompanhava: um sorriso que apesar de enrugado tinha um ar juvenil, maroto.
Primeiro era o som do motor da velha Brasília sendo estacionada, depois o som da trava do portão sendo aberta, e aí vinha, do fim do corredor, o chacoalhar da sacolinha de plástico acompanhada do sorriso.
Hora do lanche da tarde, com o cheiro de café estimulando-nos a jogar conversa fora, hora do carinho de avô de sorriso maroto.
Não haverá pão francês mais delicioso.


Vô Ignácio, dono do sorriso maroto!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

O mais NOVO golpe!

Bom dia pra você.
Hoje eu acordei faladeira, então vou falar...
Acabo de ver uma publicação no Facebook e resisti bravamente em comentar por lá, pois não desejo magoar a pessoa que compartilhou e muito menos iniciar uma polêmica com quem originalmente publicou e que sequer conheço. Mas aqui, bem... aqui eu posso falar.
Antes de dar detalhes picantes sobre a publicação, gostaria de salientar que ela já teve 1.205 compartilhamentos. Só para dar uma noção da lambança!
Pois bem, a publicação mostra algumas fotografias indicando o “novo golpe do Governo do estado de São Paulo”. Você não sabia? Os governantes acordam toda manhã pensando “como vou sacanear a população hoje?”.
Toda teoria da conspiração declarada na publicação é mera coincidência...
Um carro estacionado no acostamento de uma rodovia com o capô levantado e pisca alerta aceso, como se estivesse quebrado. Na frente dele, camuflado, um radar móvel pronto para pegar os pobres motoristas desavisados que estão andando acima da velocidade permitida.
E o cidadão que compartilha a imensa “sacanagem” (palavras dele!) achando que está prestando um serviço para a comunidade. Nãããão, meu amigo. O melhor seria você andar na velocidade permitida na rodovia em qualquer ocasião, sem se preocupar com radares.
As denúncias não param... “fábrica de multas!”, “arrecadação garantida”, “dinheiro fácil as custas do cidadão”, e um pedido: “compartilhem para q todos fiquem em alerta!!!”. Vomitei depois desta.
A esse discurso, de gente que tem como meta ser mais esperto que o sistema e se acha acima das leis, é que precisamos ficar alerta. Gente que anda acima da velocidade permitida nas vias e não se importa com os riscos a que se expõe e aos quais expõe os demais motoristas e, mesmo, pedestres.
A “fábrica de multas” não pega aqueles que procuram seguir as regras e leis de trânsito, que, aliás, existem para que as ruas não virem uma baderna ainda maior do que é.
Você que reclama das artimanhas adotadas para dar multas provavelmente também deve ter o discurso de que este é o país da impunidade. Acha que a multa é o quê? Justamente uma punição por ter feito algo errado e/ou proibido. Ah, não foi você... houve um equívoco? Acontece, conteste a infração.
Pois é, a punição é boa quando é para o outro, né? Quando não, é uma conspiração para tirar dinheiro de um cidadão exemplar como você... A gente sabe!



... de ser idiota!

sábado, 3 de janeiro de 2015

O pote da felicidade



Há alguns anos eu adotei um hábito que me permite evidenciar o lado bom da vida.
Eu tenho um pote – que antigamente era utilizado para bolachas e agora se chama Pote da Felicidade – que, durante todo o ano, vai sendo recheado com bilhetinhos contendo os momentos especiais que vão acontecendo durante o ano.
No último dia do ano eu me sento com meu marido e, juntos, relembramos todas as coisas boas que vivenciamos e nos sentimos gratos e abençoados por todas as tudo de bom de nosso ano.
Antigamente, eu queimava em uma "fogueirinha" todas as coisas, assinaladas em um papel, que eu queria deixar para trás, que não queria levar para o ano seguinte. Mas percebi que só fazia dar ênfase e pensar, justamente, no que eu não queria superar.
Assim, adotei esta forma mais positiva de encarar as coisas... fez-me bem!

Pois bem, o Pote da Felicidade de 2014 tinha muita coisa legal, resumidamente...

... a recuperação do Pupo que, depois de ficar imobilizado por conta de um problema na coluna voltou a andar com bastante fisioterapia, acupuntura e amor. O Pupo foi o mais presente no Pote da Felicidade, pois foram muitos os momentos emocionantes e felizes em sua recuperação!

... minha irmã se casou no dia do meu aniversário, foi tudo lindo e eu ainda ganhei um bolo do Pequeno Príncipe (o mais especial dos meus 37 anos).

... comprei um carro novo, todo lindo e chique, meu primeiro zero. Foi uma emoção muito boa!

... lancei meu livro, que conta sobre minha cachorra Ciloca, que morreu em outubro de 2013. Todas as etapas foram especiais e cada uma delas foi para o Pote da Felicidade.

... assistir a um jogo da Copa, conhecer Brasília, ver o Cristiano Ronaldo ao vivo e de (relativamente) perto.

... fechar minha viagem para Portugal!

... voltar a andar a cavalo; receber a visita da Evelyn e da Amy; aguar o jardim com o Pupo solto ao meu lado; a primeira visita do Sr. Tucano; poder dar uma bonificação em dinheiro para minha ajudante; show da Sandy – com Xororó, Júnior e Lucas no palco –, toda gravidinha; caminhada com o Márcio Atala neste pedaço do paraíso que é nosso Parque Botânico; ver as pessoas se emocionando com meu livro e minha história com a Ciloca.

Em 2015, o pote vai bombar!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

A vida é curta demais para colecionar rancores!

As eleições mostraram um país divido em partes quase iguais, opiniões diferentes e muita (muita!) intolerância.
Mas eu não vim aqui para falar sobre a eleição, sobre os candidatos, nem nada de política. Eu vim aqui para pensar sobre o ser humano.
Desde que o mundo é mundo o ser humano busca se afinar a seus semelhantes, aos que pensam e agem como ele, e aos que encontra sintonia, no popular: com aqueles que “deu liga”.
É a lei da atração e ela é completamente compreensível. Contudo, é previsível que não tenhamos sintonias em todos os aspectos, mesmo com aqueles que mais nos entrosamos. E, combinemos, a vida seria muito chata se todo mundo fosse igual.
São as diferenças entre nós e aqueles que gostamos de ter por perto que nos ensinam, que nos fazem repensar coisas, analisar outros pontos de vista e, quem sabe, até mudar de opinião. Agora, que não venha um qualquer, que a gente nem gosta, dizer a mesma coisa... certamente serão rechaçados, rs.
Por que, então, repelir as ideias diferentes? Excluir os amigos e familiares que se posicionaram de maneira diferente nesta ou naquela eleição, que torcem para times diferentes, que são de religiões e possuem crenças diferentes das nossas... as possibilidades de opiniões colidirem são infinitas, até quando este embate?
Outro dia eu li uma frase do Saramago na internet, que era assim: “Aprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro.” É bem por aí, ninguém quer receber goela abaixo o que o outro pensa, nem ficar discutindo e se posicionando, é cansativo.
Se o assunto não agrada, mude o rumo da conversa. Se não concorda com o outro, aprenda a apenas ouvir, é um exercício desafiador para aqueles que têm uma “opinião formada sobre tudo”, mas compensa. Se tudo que o outro diz te incomoda, então muda de ares, elimina o cidadão da lista de telefones, ou melhor dizendo para atualizar o jargão: do WhatsApp e do Facebook, e vai em busca de novas conversas e amizades. Você não precisa de uma eleição como desculpa para isso, mas bem pode “aproveitar a deixa”... A vida é curta demais para colecionar rancores!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

A beleza que só ela vê

Ela era uma mulher forte, daquelas que todo mundo se inspirava. Nada a abalava. Dissessem o que dissessem, ela nunca dava importância, sabia seu valor e não mudava seus valores e convicções por conta da desaprovação alheia. Uma muralha!
De noite, sozinha em casa, mal amada, ela deve chorar horrores, pensavam. Deve ter insônia, não é possível, uma mulher destas não pode ser feliz...
Mas ela era. Ao invés das crises de choro que todos a imaginavam tendo, ela sentava ao fim do dia, diante de uma mesa de jantar muito bem posta, com uma comidinha caprichada – que ela preparou enquanto ouvia seu cantor favorito no aparelho de som – e uma taça de vinho vagabundo – seu favorito mesmo não tendo nada de classudo.
A seu lado, não uma cadeira vazia, mas ocupada por um gato lindo... Não aqueles que a gente vê nos anúncios de roupas masculinas, mas aquele cheio de pelos e com um miado rouco, também sem glamour ou raça pomposa, mas que a avista com olhar apaixonado. Posicionado como uma estátua ele a encara, com um olhar sereno que transmite paz.
Para ela isso basta, a vida não precisa de grandes acontecimentos para ser bela e a felicidade não precisa de muito mais para se achegar. O que os outros dizem sobre ela pouco importa, pensa neste instante, quantos podem se dar ao luxo de ter momentos como aquele?
Se ela é uma fortaleza? Sim, ela é. Não pelo que os outros veem de postura profissional, não por parecer inabalável, mas porque ela está em sintonia consigo mesma.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Amores não vividos

 
 
Tim Maia romanceava: “Paixão antiga sempre mexe com a gente, é tão difícil esquecer, basta um encontro por acaso e pronto, começa tudo outra vez”, e todo mundo se derretia.
Paixão boa mesmo é aquela mal resolvida, que ficou na vontade, que deixou saudade... Certo? Errado!
A gente adora curtir fossa por amores impossíveis, que nunca aconteceram, os que poderiam ser mas não foram. E por que, diabos, achamos que eles são os melhores mesmo?
Ah, sim, porque eles não aconteceram, logo, não temos como saber como seriam se de fato fossem e o “e se” é sempre melhor do que o “é”.
Nós, mulheres, adoramos um conto de fadas, um happy end e não há mal algum nisso, mas precisa ficar presa lá no conto, não pode aterrissar, voltar para a realidade e apreciar o que de bom ela oferece?
Lendo a crônica Lembranças mal lembradas da diva Martha Medeiros, me deparo com isto:
“E aquele cara perturba seu sono até hoje porque você segue idealizando o sujeito, se recusa a acreditar que o amor vem e passa. Tudo parecia tão perfeito, ele era o tal príncipe do cavalo branco sem tirar nem pôr. Ajuste o foco: o coitado foi apenas o ser humano que cruzou a sua vida quando você estava num momento de carência extrema. Libere-o dessa fatura.”
Sem mais...

Imagem retirada daqui.

domingo, 6 de abril de 2014

O sorriso



Ela era uma universitária, ele um artista de cinema, dia da formatura da primeira.
Do outro lado do auditório uma possibilidade se escondia... seria uma vida apaixonada e feliz. Realizada, ela seguiria seu caminho sendo uma boa esposa, receberia amor e viveria muitos anos exercendo a profissão que escolheu.
Diante dela, o olhar, o sorriso devastador e um romance que apesar de breve (não adiantava se iludir) certamente seria inesquecível. Bastava retribuir o bilhete com seu olhar, aquele que expressaria mais do que as palavras poderiam dizer.
Dois caminhos, uma escolha difícil. Sentimentos intensos, era dia de sua formatura.
A prova final fora uma armadilha, tinha certeza disso. O professor - um senhor sisudo de cabelos grisalhos - entregou-lhe a folha de avaliação com olhar desafiador. O olhar dizia: “quero vê-la sair desta”. Às vésperas da conclusão do curso e o professor vinha com esta...
Impetuosa como era, não pensou duas vezes, terminou a prova e saiu disparada em direção à sala do professor na universidade. Diante de uma plateia de cinco outros docentes desferiu os desaforos que guardava dentro de si.
A lógica estava do lado dela, e mais, lembrava-se de uma informação que derrubou as defesas e argumentos do professor. Ela colocou para fora seus pensamentos, aquela prova era uma ofensa pessoal, virou as costas e sequer deu tempo para a réplica do professor, que pareceu receber uma paulada na face e pouco tinha a dizer em sua defesa.
Podia ter comprometido sua formatura, mas às favas com esse detalhe, queria mesmo era livrar-se daquele sentimento. E o fez. Assim que virou as costas, depois de tudo dito, sentia-se novamente em paz. Formada ou não formada, tinha a alma lavada e nada mais importava.
Passara por muita tensão, mas era dia de sua formatura, logo, conclui-se que as palavras desferidas ao professor surtiram efeito. Entretanto, o importante nesta história era o bilhete... e com o bilhete, vinha o olhar. E o sorriso, devastador.
Emocionada ela abraçou sua avó, a típica avó: grisalha e pequena, uma criatura falante que causava simpatia por onde passava.
De repente, começou a chorar. Choro compulsivo, alto, dolorido. Quem avistava a cena poderia acreditar que tratava-se da emoção do momento, graduação depois do sufoco das provas finais, do desaforo do professor. Os mais atentos talvez imaginassem que era tudo por causa do bilhete, do olhar, do sorriso. Os atentos notaram o sorriso.
Mas não era. Só ela sabia, só ela sentia, só ela via... Era um dia especial, a emoção fazia parte dele, ela deveria estar vendo apenas a avó diante dela, mas via mais.
Via aquele que deveria estar ao lado da sua avó, e a seus olhos ele estava. Aquele que era parte importante daquele dia, mas que não estava fisicamente presente nele.
A emoção de vê-lo, o presente de ali tê-lo, era tudo muito intenso, muito verdadeiro, mesmo sendo uma visão apenas dela. Se era real ou se não era, pouco importava. Ela simplesmente sentia e chorava. Um choro que era uma prece, mas que ninguém sabia.
Ela segurava o bilhete, bastava tê-lo retribuído com seu olhar, aquele que expressaria mais do que as palavras poderiam dizer. Ela não o fez, ficou estarrecida com a possibilidade.
Ela sempre o desejou, mas, de repente, os distintos caminhos que sua vida tomariam se mostraram claros diante dela. A escolha de qual seguir era muito difícil.
Do outro lado do auditório outra possibilidade a esperava. Uma vida muito bonita e feliz.
Ali, diante dela, o bilhete: “A GENTE NÃO ESCOLHE COMO VAI SER TODA NOSSA VIDA, MAS ESCOLHE COM QUEM VAI PASSÁ-LA.”
Levanta a cabeça, de cima do púlpito parte o olhar devastador, atravessa o salão dos cumprimentos, chega até ela. É o momento da decisão... e ela faz sua escolha.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Em época de protestos mil...

Já deu de jovenzinho gravando vídeo para criticar os que não estão indo para as ruas protestar, né? Acham-se os revolucionários brasileiros, mas mal saíram dos cueiros. Claramente, confundem revolta com revolução.
Um país melhor não se faz apenas por meio de protestos, se constrói todos os dias, com atitudes que muitos dos ausentes nas passeatas praticam há anos.
Sabe aquele troco a mais que te entregam ou aquela conta de bar que cobram a menos? Ali você contribui com honestidade para construir uma sociedade mais justa.
Sabe aquele semáforo que você não cruza no vermelho respeitando as leis e pensando no outro que pode se acidentar e até morrer por sua imprudência? Ali você faz deste país um lugar melhor.
Sabe quando você não usa a corrupção dos outros para justificar aquela sonegadinha no imposto, aquela burlada na nota fiscal? Ali você se torna mais admirável aos olhos de seus familiares e da sociedade.
Minha mãe sempre me dizia algo bacana sobre isso: seja uma bala ou um banco que se rouba, não importa, é roubo. Mas roubo é o que o outro faz, a gente só faz justiça, não é mesmo?
Quantos podem bater no peito e dizer que estão fazendo sua parte de verdade?
Eu já cansei de ver estes tipinhos revoltados de Facebook, chamando a galera pra rua, bancando o Guevara da Nação e publicando indignação pela politicagem do país, forçando atestado (e até tomando injeção desnecessária) para tirar o dia para vadiar em casa.
Estão enganando quem? Quem é o desonesto afinal? Você faz realmente sua parte antes de cobrar os demais de fazerem a deles?
A internet está cheia de donos da verdade, de carinhas de anjo posando de informados que quando saem do ônibus quase passam por cima das senhorinhas que tentam entrar. A educação fica trancada no armário e ainda culpam o Governo pela ausência dela.

Para os cidadãos que fazem deste país um lugar melhor – pouco a pouco, com pequenas ou grandes atitudes, presentes ou não nas manifestações –, é em vocês que mora minha esperança.

sábado, 15 de junho de 2013

Mudanças

Eu não assisto noticiários, tudo o que é significativo eu acabo sabendo quando dou uma passada rápida pela página do Uol ou algum amigo publica no Facebook. Ou, ainda, alguém me conta... Minha avó adora contar as atuais desgraças que ela ouviu no rádio, “me alertar” como ela costuma dizer.
Eu não quero me ausentar do mundo e dos acontecimentos, mas também não quero ter que pensar e formar opinião sobre tudo. É cansativo!
Compreender e melhorar-me já me consome uma energia enorme e acredito, de verdade, que me aprimorando eu melhoro o todo. Mesmo que um pouquinho…
Estou sempre mergulhada nos livros, eles me abraçam, me acolhem e me fazem pensar.  É uma mudança solitária, melhoria sutil e lenta. Contudo, se beneficiam todos os que me cercam e, como uma corrente, a coisa vai se espalhando.
Eu já quis mudar o mundo, já quis que as pessoas se comprometessem como eu me comprometia, que isso, que aquilo… Hoje não sinto mais vontade, já é demasiado difícil mudar a mim.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Na torcida

Da série: Observando o mundo.



Torcedor é um ser que me desperta curiosidade e que, considero, deveria ser tema de muitos estudos (se é que já não é!).
Passional na plenitude da palavra, o torcedor levanta a bandeira de seu time e veste sua camisa (sem trocadilhos e literalmente falando).
Gasta dinheiro (e muito, no caso de quem compra produtos oficiais), empenha energia, despende seu tempo e apoia o time de sua paixão.
E paixão é a palavra-chave! Por vezes, irracional e cega. Principalmente, quando o esporte é futebol e o país é Brasil.
Só quem esteve em meio à massa de torcedores nas arquibancadas consegue entender "a dor e a delícia de ser o que é" (ou não, como diria Caetano).
O grito de gol, a alegria da vitória, as lágrimas amargas da derrota, é tudo nosso, não do elenco do time. É tudo compartilhado.
Eu entendo tudo, entendo até a violência e a agressão (mesmo não concordo, em absoluto, com ela), só não entendo esta necessidade que tem o torcedor de sair como garoto propaganda do seu time o ano todo e, obviamente, em dias de disputas. Parece-me uma autoafirmação desnecessária, de si mesmo, de seu amor pelo time, e sabe-se lá do que mais.
A estampa – seja na camisa, no shorts, na meia, no boné ou no chaveiro –, por vezes, parece transmitir a mensagem "eu sou, e aí?". Ou você é "dos meus" ou está contra mim. E se, desavisado, um outro torcedor aparece no lugar errado, com a camisa errada, a ofensa está feita.
Sejamos nós torcedores ou não, estes seres são sempre divertidos de se observar. E, esta aberta a temporada de observação da espécie!


A imagem que ilustra o texto é da torcida tricolor do São Paulo Futebol Clube, clube que conta com a minha torcida, e foi retirada do site SPFC1935.